Escrever sobre um autor nada tem a ver com encaixar fragmentos dispersos por uma diáspora, para assim reconstruir uma identidade que existia antes do fluxo . Uma obra poética não é um quebra-cabeça a nos desafiar a inteligência para encontrar, sob o diverso, a unidade apolínia da obra. Uma obra poética não é um quebra-cabeça. Por isso, comentar uma obra poética , como ensina Deleuze, é como fazer um retrato em pintura: criamos uma perspectiva de acordo com nossas tintas. Mas é necessário que o retratado esteja ali presente: não aprisionado, mas em linha de fuga, e a possibilitar que o comentário que se faz também seja uma linha de fuga a toda pretensão de verdade última. Essa cautela espinosista vale ainda mais para uma obra poética como esta que Luís Serguilha nos oferece e desafia como singular caleidoscópio. Esta é a imagem que nos guia: ao invés de um quebra-cabeça, um caleidoscópio.

(...) A leitura do livro “falar é morder uma epidemia”, de Luís Serguilha, nos coloca próximos a uma experiência semelhante àquela borgeana. Um livro-fluxo, assim nos parece o livro-poema de Serguilha.

(...) Antes de tudo, a leitura do livro-fluxo de Serguilha é uma experiência que nos põe no limite da própria leitura: como o rio de Heráclito, ele nos desafia a travessia. Entramos e nossos pés não acham o fundo. E quando nadamos até o meio, arrasta-nos a força desterritorializante do texto inaprisionável. A melhor forma de se fazer tal travessia-leitura? Deixar-se levar.

 

Elton Luiz Leite de Souza [no Prefácio]

 

Falar é morder uma epidemia

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  • Luís Serguilha (escreveu)

    Ano: 2019
    Formato: 21,0cm x 22,0cm (com badanas)
    Nº de páginas: 80
    ISBN: 978-989-54376-0-3